Gargalos da alfabetização no Brasil

Os Gargalos da Alfabetização no Brasil: desigualdades e formação docente - Reportagem 2
Por que seguimos enfrentando tantos desafios na alfabetização no Brasil? Essa é uma pergunta que acompanha muitos de nós que atuamos diretamente nas escolas ou na formação de professores.
Recentemente, tive a oportunidade de contribuir com a segunda reportagem da Revista Nova Escola sobre os gargalos da alfabetização, trazendo minha experiência com dois fatores que considero determinantes: as desigualdades sociais e a formação inicial dos docentes.

O impacto das desigualdades: uma espiral que atinge estudantes e professores
O impacto das desigualdades: uma espiral que atinge estudantes e professores
Na matéria, compartilhei uma percepção que sintetiza bem o que vejo no dia a dia: a desigualdade atua de forma “espiralada e duradoura”. Ela atinge as famílias e os estudantes, mas também nós, professores.
De um lado, temos famílias sobrecarregadas por condições socioeconômicas adversas. De outro, enfrentamos as diferenças de contexto e de oferta educacional entre as redes pública e privada.
Além disso, há um aspecto muitas vezes invisível nas discussões sobre alfabetização: a sobrecarga de educadores que acumulam turnos e têm pouco tempo para planejamento e formação continuada. Isso impacta diretamente a qualidade das práticas pedagógicas e o acompanhamento dos estudantes.
Formação inicial: quando a teoria se sobrepõe à prática
Outro ponto que destaquei na reportagem é a lacuna que persiste na formação inicial dos professores. Nas grades curriculares dos cursos de Pedagogia que já tive acesso – além de relatos de colegas – percebo um predomínio da teoria, muitas vezes desvinculada da prática.
Não que a teoria não seja fundamental (ela é!). Mas quando a relação com a prática é frágil, o resultado é um professor que aprende a conduzir a alfabetização no dia a dia da sala de aula muitas vezes de forma solitária e com dificuldades.
Como digo na reportagem, essa lacuna compromete a capacidade de planejar intervenções eficazes e de propor atividades de leitura e escrita realmente significativas para os estudantes.
Acredito que, assim como a Medicina conta com a residência médica, os cursos de Pedagogia também deveriam oferecer experiências mais ativas e acompanhadas nas escolas durante a formação.
Para saber mais
Se quiser conferir a matéria completa da Nova Escola, com as falas de outros especialistas e as análises sobre esse cenário, acesse o link:
👉 Gargalos da alfabetização: desigualdades e formação docente

