Foto de Prof. Julia Farias

Prof. Julia Farias

Especialista em Alfabetização, com experiência na educação há quase 20 anos.
Alfabetização contextualizada e respeito aos saberes do estudantes.

Compartilhe

Gargalos da alfabetização no Brasil

Os Gargalos da Alfabetização no Brasil: desigualdades e formação docente - Reportagem 2

Por que seguimos enfrentando tantos desafios na alfabetização no Brasil? Essa é uma pergunta que acompanha muitos de nós que atuamos diretamente nas escolas ou na formação de professores.

Recentemente, tive a oportunidade de contribuir com a segunda reportagem da Revista Nova Escola sobre os gargalos da alfabetização, trazendo minha experiência com dois fatores que considero determinantes: as desigualdades sociais e a formação inicial dos docentes.

Professora Alfabetizadora

O impacto das desigualdades: uma espiral que atinge estudantes e professores

Na matéria, compartilhei uma percepção que sintetiza bem o que vejo no dia a dia: a desigualdade atua de forma “espiralada e duradoura”. Ela atinge as famílias e os estudantes, mas também nós, professores.

De um lado, temos famílias sobrecarregadas por condições socioeconômicas adversas. De outro, enfrentamos as diferenças de contexto e de oferta educacional entre as redes pública e privada.

Além disso, há um aspecto muitas vezes invisível nas discussões sobre alfabetização: a sobrecarga de educadores que acumulam turnos e têm pouco tempo para planejamento e formação continuada. Isso impacta diretamente a qualidade das práticas pedagógicas e o acompanhamento dos estudantes.

Outro ponto que destaquei na reportagem é a lacuna que persiste na formação inicial dos professores. Nas grades curriculares dos cursos de Pedagogia que já tive acesso – além de relatos de colegas – percebo um predomínio da teoria, muitas vezes desvinculada da prática.

Não que a teoria não seja fundamental (ela é!). Mas quando a relação com a prática é frágil, o resultado é um professor que aprende a conduzir a alfabetização no dia a dia da sala de aula muitas vezes de forma solitária e com dificuldades.

Como digo na reportagem, essa lacuna compromete a capacidade de planejar intervenções eficazes e de propor atividades de leitura e escrita realmente significativas para os estudantes.

Acredito que, assim como a Medicina conta com a residência médica, os cursos de Pedagogia também deveriam oferecer experiências mais ativas e acompanhadas nas escolas durante a formação.

Para saber mais

Se quiser conferir a matéria completa da Nova Escola, com as falas de outros especialistas e as análises sobre esse cenário, acesse o link:
👉 Gargalos da alfabetização: desigualdades e formação docente

Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors
You have no story to show