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Prof. Julia Farias

Especialista em Alfabetização, com experiência na educação há quase 20 anos.
Alfabetização contextualizada e respeito aos saberes do estudantes.

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GARGALOS DA ALFABETIZAÇÃO NO BRASIL

Gargalos da alfabetização: avaliações demais e atividades padronizadas afetam a aprendizagem– Reportagem 3

Na série sobre os Gargalos da Alfabetização, também pude contribuir com a terceira reportagem falando sobre dois assuntos que merecem atenção e discussão – excesso de avaliações e prioridade em “atividades prontas” padronizadas na alfabetização.

Compartilho aqui alguns pontos que destaquei na entrevista e que considero fundamentais para repensarmos nossas práticas.

Não é só sobre técnica ou método

Insisto na minha preocupação com propostas pedagógicas que desconsideram a realidade e os saberes prévios das crianças, pois

“Ver a alfabetização como uma técnica minimiza toda a sua real complexidade. Os estudantes estão imersos em um mundo de cultura da escrita, mas quando chegam à escola, por vezes, devem esperar a semana da sílaba com a letra ‘P’ para discutir a escrita de ‘Parabéns’.”

Também reforço que o planejamento docente deve estar alinhado ao território, à cultura local e às experiências das crianças. Por isso, sugeri projetos didáticos que valorizem esses saberes:

  • Projetos com gêneros textuais orais regionais, como cantigas de roda, narrativas populares e parlendas, envolvendo contextualização, pesquisa e produção textual, podendo culminar em apresentações para outras turmas ou até um sarau ou slam.
  • Projetos que recuperem receitas de família, convidando familiares a participarem e resultando em cadernos ou livros de receitas, fortalecendo vínculos, memórias e múltiplas práticas de leitura e escrita.

Outro ponto que trouxe na reportagem foi o excesso de avaliações, que muitas vezes ocupa o tempo que poderia ser dedicado a propostas aprofundadas:

“Com tantas frentes em prol da educação e da alfabetização, as avaliações externas e internas têm inundado a rotina dos professores. Já escutei que são tantas provas e preparações para elas que parece estar se vivendo em prol delas e não necessariamente em prol da aprendizagem.”

Ressalto, ainda, que o problema não é a avaliação em si, mas a frequência e o volume. Avaliar é essencial para dosar e replanejar, mas, quando se tornam excessivas, podem gerar pressão, sobrecarga e pouca construção de sentido para o estudante.

Caminhos possíveis

Finalizei indicando a importância de construir soluções em parceria:

“Vejo como possibilidade uma troca da equipe gestora das unidades escolares com a equipe técnica do município, que, por sua vez, troque com o secretário e pense em possibilidades de conversas com as esferas maiores.”

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