Modalidades Organizativas na Alfabetização
A famosas (ou nem tanto) modalidades organizativas como estratégia na gestão do tempo didático, atendimento aos diversos saberes e no trabalho com práticas sociais de leitura e escrita na sala de aula.
Modalidades Organizativas: o que são e como nos ajudam em sala de aula?
O que significa "modalidades organizativas"?
O termo modalidades organizativas se refere a formas de estruturar as situações de ensino e aprendizagem dentro da sala de aula. É o modo como o professor planeja e organiza o tempo, os agrupamentos, os materiais e os objetivos/os propósitos didáticos e comunicativos de cada situação de aprendizagem.
Principais tipos de modalidades organizativas (segundo Délia Lerner):
Atividades habituais
Acontecem com periodicidade e propõem interação intensa com o objeto de conhecimento nesse período, ou seja, se repetem com regularidade ao longo do tempo, gerando rotina/previsibilidade e aprofundamento.
Sequências Didáticas
Conjunto de atividades interligadas, com progressão e continuidade para alcançar um objetivo específico. Não necessariamente tem como objetivo um produto tangível. Atenção: essas atividades não são soltas tampouco descontextualizadas e devem estar programadas para um período também determinado.
Projetos Didáticos
Organização de atividades em torno de um produto significativo e tangível ao final. De acordo com sua duração, pode-se construir um cronograma retroativo e definir suas etapas com a participação ativa dos estudantes.
Atividades Independentes
Atividades que acontecem a partir de oportunidades independentes de discussão ou para sistematizações, não necessariamente previstas, desde que se relacionem com os propósitos didáticos e/ou com os conteúdos que foram ou estão sendo trabalhados e não entraram nas outras modalidades organizativas.
Por que as modalidades organizativas são importantes para a gestão do tempo didático?
- Elas ajudam o professor a garantir variedade de experiências de aprendizagem.
- Permitem que os alunos tenham contato com diferentes práticas sociais de leitura e escrita, em situações mais próximas da vida real.
- Tornam o ensino mais intencional e planejado, evitando improvisações que dificultam a aprendizagem. No entanto, permitindo flexibilização para mudanças possíveis a depender do encaminhamento e do processo da turma.
- Atendem a diferentes saberes e tempos de aprendizagem, favorecendo a diversidade e a heterogeneidade.
Planejar a alfabetização vai muito além de escolher um conteúdo. É pensar no formato das situações de aprendizagem. É dar sentido ao que se propõe. As modalidades organizativas são o caminho para transformar a sala de aula num espaço real e possível de alfabetização.
Principais referências utilizadas nesse texto:
- Delia Lerner – O real, o possível e o necessário. Porto Alegre: Artmed, 2002.
- Eliane Vidal – Projetos Didáticos em Salas de Alfabetização. Curitiba: Appris, 2014.


