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Prof. Julia Farias

Especialista em Alfabetização, com experiência na educação há quase 20 anos.
Alfabetização contextualizada e respeito aos saberes do estudantes.

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Leitura, escrita e mídias digitais

Aula na graduação da FEUSP

No fim de junho, pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (a FEUSP), tive a alegria de participar da formação de estudantes da graduação em Letras, em uma aula realizada no processo de monitoria da faculdade, sob a supervisão da minha orientadora, Elaine Vidal.

Conversamos sobre tecnologias digitais, leitura, escrita e formação docente. E saí da aula com uma inquietação que tem me acompanhado há algum tempo.

Vivemos um momento curioso: enquanto as tecnologias digitais ampliam as possibilidades de produzir, compartilhar e construir conhecimento, a plataformização da educação tem, muitas vezes, produzido o movimento contrário, engessando práticas pedagógicas, reduzindo a autonomia docente e transformando o ensino em uma sequência de tarefas previamente definidas.

É um paradoxo que merece nossa atenção.

Se ensinar a ler e a escrever significa garantir o acesso dos estudantes às culturas do escrito, precisamos perguntar: quais são as culturas do escrito de hoje? Como as pessoas produzem sentidos, leem, escrevem, pesquisam, interagem e participam socialmente em um mundo atravessado pelas tecnologias digitais?

Essas perguntas tornam a formação de professores ainda mais desafiadora. Afinal, falar sobre tecnologias com quem já nasceu imerso nelas exige ir além das novidades e das ferramentas. Nosso papel não é apresentar “o aplicativo da vez”, mas construir espaços de reflexão sobre os usos da tecnologia, seus limites, suas potencialidades e, sobretudo, sobre o lugar do professor nesse cenário.

Foi uma conversa potente, que me lembrou por que continuo acreditando na universidade como espaço de diálogo, pesquisa e formação crítica.

Seguimos aprendendo sempre e pensando: em tempos de inteligência artificial, plataformas e algoritmos, talvez o maior desafio da escola continue sendo o mesmo: formar leitores e escritores capazes de interpretar o mundo — e também as tecnologias que o atravessam.

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